Polícia Civil conclui inquérito sobre coação a testemunhas no caso do cão Orelha

Por Zebrinha Richartz 27/01/2026 - 15:55 hs

A Polícia Civil de Santa Catarina apresentou, na manhã desta terça-feira (27), os avanços das investigações sobre o caso de maus-tratos que resultou na morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. O crime, ocorrido no início de janeiro, teve ampla repercussão social e mobilizou diversas frentes de atuação da instituição.

Segundo a Polícia Civil, o animal foi brutalmente agredido e, em razão da gravidade dos ferimentos, não resistiu durante o atendimento médico-veterinário. A partir da denúncia, foram instaurados procedimentos policiais para apurar os fatos e possíveis ilícitos conexos praticados pelo mesmo grupo envolvido no caso.

As investigações apontaram a suspeita de participação de adolescentes nas agressões. Diante disso, a Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE) instaurou auto de apuração de ato infracional. Paralelamente, a Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA) conduziu inquérito para apurar a coação de testemunhas, supostamente praticada por familiares dos adolescentes investigados.

Na segunda-feira (26), equipes da DPA e da DEACLE cumpriram mandados de busca e apreensão em residências dos adolescentes suspeitos e de adultos envolvidos na tentativa de intimidação de testemunhas. Durante a ação, foram apreendidos celulares e outros dispositivos eletrônicos, que passarão por análise técnica e devem reforçar o conjunto probatório já reunido.

O inquérito conduzido pela DPA foi concluído e resultou no indiciamento de três familiares dos adolescentes — um advogado e dois empresários — pelo crime de coação no curso do processo. Após os interrogatórios, o procedimento foi encaminhado ao Fórum da Capital.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, a investigação demandou um trabalho intenso e minucioso. “Somente no procedimento da DPA foram ouvidas mais de 20 pessoas e analisadas mais de 72 horas de imagens de 14 câmeras de monitoramento, públicas e privadas. Isso representa mais de mil horas de gravações analisadas, sem contar outros fatos criminosos relacionados”, destacou.

Em relação aos adolescentes identificados, a Polícia Civil informou que o procedimento seguirá em tramitação na DEACLE. Conforme explicado, foi necessário o cumprimento prévio de medidas cautelares judiciais antes da realização das oitivas, o que retardou a conclusão do processo.

Durante a coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, reforçou o compromisso da instituição com a causa animal e destacou a importância das delegacias especializadas na defesa dos direitos dos animais. Ele também ressaltou que é proibida a divulgação de imagens, nomes ou qualquer informação que identifique os adolescentes investigados.

“A responsabilização ocorre no âmbito do Judiciário, que aplicará as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, conforme a legislação vigente”, afirmou o delegado-geral.

Participaram da coletiva o delegado-geral Ulisses Gabriel; o diretor de Polícia da Grande Florianópolis, delegado Pedro Henrique de Paula e Silva Mendes; o diretor do Gabinete da Delegacia-Geral, delegado Marcelo Nogueira; e a delegada da DPA, Mardjoli Valcareggi.

Ao final, a Polícia Civil reiterou seu compromisso com uma investigação responsável, técnica e isenta, agradecendo o apoio da população e das testemunhas que colaboraram com informações fundamentais para o esclarecimento do caso envolvendo os cães Orelha e Caramelo, na Praia Brava.

Foto: PCSC